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O QUE É UMA COMUNIDADE?
É um espaço comum, de pertença, de apoio e de engajamento que por si só já anuncia uma conexão com os outros
As Comunidades de Cuidado e Apoio Entre Estudantes são uma forma de Protagonismo Juvenil e são um tipo de Sistema de Apoio entre Iguais (SAI) que integra ações de acolhida, cuidado e apoio a situações de sofrimento para quem precisa de ajuda na escola.
E POR QUE DECIDIMOS SER “COMUNIDADES”?
bell hooks (2021) nos lembra que uma comunidade nasce quando as relações deixam de ser marcadas pela dominação e passam a ser sustentadas pelo cuidado. Construir uma comunidade escolar significa envolver todos na criação de um espaço em que preconceitos, exclusões e violências possam ser superados (p. 71).
É essa a inspiração das Comunidades de Cuidado e Apoio: mais do que formar estudantes que ajudam, queremos formar uma comunidade em que cada pessoa inspire e encoraje outra a cuidar. Assim, o cuidado deixa de ser um gesto individual e torna-se uma cultura compartilhada.
Ao retomar o sonho de Martin Luther King Jr., bell hooks escreve: "King nos ensinou que o simples ato de se unir fortaleceria a comunidade" (2021, p. 71). Talvez seja justamente esse o maior desafio da escola de hoje: construir laços suficientemente fortes para que nenhum adolescente enfrente sozinho o sofrimento, a exclusão, o bullying ou as violências que também atravessam a vida virtual. Cuidar, afinal, é fazer com que ninguém precise caminhar só.
hooks, bell. "Ensinando Comunidade: uma pedagogia da esperança". Ed. Elefante, São Paulo. 2021

DAS EQUIPES DE AJUDA ÀS COMUNIDADES DE CUIDADO E APOIO:
O percurso de um Sistema de Apoio entre Iguais no Brasil
Em 2015, o GEPEM deu início à implantação das primeiras Equipes de Ajuda no Brasil, inspiradas no modelo de Sistemas de Apoio entre Iguais desenvolvido pelo professor espanhol José María Avilés Martínez. A proposta foi cuidadosamente adaptada à realidade das escolas brasileiras, preservando seus princípios fundamentais: o protagonismo dos estudantes, a ajuda entre pares e a construção de uma convivência mais ética e segura.
Desde o início, a implantação esteve intimamente articulada à pesquisa científica. Ao longo de dez anos, o GEPEM acompanhou escolas, formou educadores, avaliou resultados e produziu investigações que permitiram compreender os avanços, os desafios e as necessidades de aperfeiçoamento do trabalho. Foi essa relação permanente entre prática e pesquisa que possibilitou consolidar evidências sobre a importância dos sistemas de apoio entre estudantes para a prevenção do bullying, do sofrimento emocional e de outras formas de violência nas relações entre pares.
As transformações vividas pela escola na última década — especialmente após a pandemia, com o crescimento das demandas relacionadas à saúde mental, ao cyberbullying, aos discursos de ódio e às novas formas de exclusão — evidenciaram a necessidade de ampliar o alcance dessa proposta. Já não bastava organizar um grupo de estudantes preparado para ajudar. Era preciso construir uma cultura de cuidado capaz de envolver toda a comunidade escolar.
Assim, em 2025, quando as Equipes de Ajuda completaram dez anos de história no Brasil, os pesquisadores do GEPEM apresentaram um modelo genuinamente brasileiro: as Comunidades de Cuidado e Apoio. Fruto da experiência acumulada nas escolas, das evidências produzidas pelas pesquisas e do compromisso com a educação para a convivência, essa proposta amplia o conceito de ajuda entre pares para a construção de comunidades em que cuidar, acolher, proteger e promover o pertencimento passam a ser responsabilidades compartilhadas. Mais do que um novo nome, representa uma evolução conceitual: da formação de equipes para a construção de uma cultura do cuidado, em que cada estudante pode tornar-se protagonista na promoção do bem-estar coletivo.
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NOSSAS BASES
As bases de um Programa de Convivência Escolar
Um programa de convivência exige ações articuladas: formação
continuada dos educadores, espaços de escuta e participação dos
estudantes, práticas de prevenção e intervenção diante dos
conflitos e das violências, diálogo com as famílias,
acompanhamento da gestão e construção cotidiana de relações
pautadas no respeito, na justiça e na cooperação. Um Sistema de
Apoio fortalece essa rede, mas precisa estar integrado a ela para que
o cuidado não dependa apenas da iniciativa de algumas pessoas.Essa compreensão já orientava os livros da coleção Retratos da
Convivência na Escola, publicada pela Editora Adonis em 2020.
Obs: O passo a passo para implementação das equipes de ajuda se encontra online:
Naquela ocasião, já ressaltávamos que um programa de convivência não se sustenta por uma única ação. Ele pode ser compreendido como uma cadeira de quatro pernas: se uma delas falta ou se fragiliza, toda a estrutura perde estabilidade. Os Sistemas de Apoio entre Iguais constituem uma dessas pernas, mas só alcançam sua potência quando articulados às demais bases que sustentam uma convivência ética e protetiva na escola. A figura a seguir ilustra essa ideia.

A primeira base é a Formação dos professores, (aqui considerando todos os educadores da escola) voltada à compreensão
de como se formam personalidades éticas e de como as relações, as
práticas educativas e os valores vividos cotidianamente contribuem
para esse processo. Não basta que os educadores desejem cuidar: é
preciso que tenham referenciais, espaços de estudo e condições
para refletir sobre os desafios da convivência e sobre suas próprias
formas de intervir com dados de pesquisas empíricas que comprovem
tais ações. É preciso lembrar que na Educação existe ciência!A segunda base é a participação democrática,concretizada, entre outras possibilidades, pela implementação de
assembleias escolares. Esses espaços permitem que estudantes e
adultos discutam problemas comuns, expressem pontos de vista,
construam acordos e aprendam que a vida coletiva exige
responsabilidade, diálogo e consideração pelo outro.A terceira base corresponde à implementação de práticas restaurativas para a resolução dos problemas de convivência. Trata-se de substituir
respostas meramente punitivas por intervenções que favoreçam a
responsabilização, a compreensão dos impactos causados, a
reparação possível e a reconstrução dos vínculos. Entre essas
práticas, destaca-se o Método de Preocupação Compartilhada,
especialmente indicado para a intervenção em situações de
bullying e cyberbullying.Por fim, a quarta base é constituída pelos Sistemas de Apoio entre Iguais,que ampliam a rede de cuidado na escola ao formar estudantes para observar, acolher, incluir e buscar apoio adulto diante de situações
de sofrimento, exclusão ou violência. Eles fortalecem uma atuação
defensora entre pares e ajudam a tornar visíveis experiências que,
muitas vezes, permanecem silenciadas.Assim, não se trata de escolher entre formar professores, promover a
participação democrática, utilizar práticas restaurativas ou
implementar Sistemas de Apoio entre Iguais.Trata-se de reconhecer que uma escola capaz de cuidar precisa dessas quatro
bases — como uma cadeira firme, capaz de acolher os desafios da
convivência sem deixar que ninguém caia sozinho.COMISSÃO DE CONVIVÊNCIA E ESCOLHA DO TUTOR
É fundamental que a decisão de implementar as ComUnidades de Cuidado e Apoio resulte de um consenso institucional. Embora algumas pessoas possam iniciar a mobilização e apresentar a proposta, o trabalho só se sustenta quando é assumido pela escola como um compromisso coletivo, e não como uma iniciativa restrita a alguns professores ou a um único setor.
Isso não significa que todos exercerão as mesmas funções. Para que as
ações sejam organizadas e acompanhadas com continuidade, é
necessário que alguns educadores estejam mais diretamente à frente
do processo. A escola poderá contar com um tutor ou com um grupo de
professores que constitua uma Comissãode Convivência,responsável por acompanhar as ações necessárias à implementação
e ao funcionamento das ComUnidades. Essa comissão pode incluir
também membros da equipe gestora, fortalecendo o vínculo entre o
trabalho de cuidado e as decisões institucionais da escola.Desde o momento em que a escola decide formar as ComUnidades, os tutores e a Comissão de Convivência participam das decisões e da organização de todo o percurso: sensibilização da comunidade escolar,
planejamento da formação dos estudantes, definição de tempos e
espaços de encontro, acompanhamento das ações e avaliação do
processo.ENCONTROS DE TUTORIA
Para acompanhar e fortalecer o trabalho desenvolvido pelos tutores nas escolas, o GEPEM organiza, bimestralmente, os Encontros de Tutoria.
Nesses momentos, reúnem-se tutores das escolas que desenvolvem as
ComUnidades de Cuidado e Apoio para estudar coletivamente um tema relevante à convivência escolar, compartilhar experiências e refletir sobre os desafios, as dúvidas, os avanços e as necessidades que emergem no cotidiano de cada instituição.Mais do que reuniões de orientação, esses encontros constituem uma rede de formação e sustentação do trabalho. Eles permitem que os tutores não permaneçam sozinhos diante das situações que acompanham, podendo dialogar com outros profissionais, construir alternativas e qualificar continuamente suas práticas de cuidado, prevenção e apoio aos estudantes. Essa continuidade é coerente com a proposta de acompanhamento periódico da tutoria prevista no percurso de implementação dos Sistemas de Apoio entre Iguais.
(#somoscontraobullying)Cronograma dos Encontros de Tutoria – PRÓXIMO ENCONTRO – AGOSTO DE 2026.

ENCONTROS REGIONAIS
Nos anos em que não é realizado o Encontro Nacional, a rede promove os Encontros Regionais de Convivência. Nesses momentos, as escolas se organizam por região e se reúnem para fortalecer os vínculos entre as ComUnidades de Cuidado e Apoio, compartilhar experiências, estudar temas relacionados à convivência e refletir sobre os desafios presentes em seus diferentes contextos.
Os encontros regionais aproximam escolas e permitem que estudantes, tutores e professores conheçam ações desenvolvidas por outras ComUnidades, troquem ideias e construam novas possibilidades de cuidado. São espaços de formação, participação e reconhecimento mútuo, nos quais cada escola pode aprender com os caminhos percorridos pelas demais.
Além das trocas e dos estudos, esses encontros favorecem a organização de ações coletivas. A cada ano, a rede pode escolher uma proposta comum que mobilize as escolas participantes, criando uma direção compartilhada para as atividades desenvolvidas naquele período. Dessa forma, mesmo preservando as particularidades de cada comunidade escolar, as ComUnidades de Cuidado e Apoio seguem conectadas por um mesmo compromisso: fazer da convivência uma experiência de pertencimento, proteção e responsabilidade coletiva.
ENCONTROS NACIONAIS
A cada dois anos, realizamos um Encontro Nacional das ComUnidades de Cuidado e Apoio, reunindo estudantes representantes das escolas que desenvolvem o trabalho. Tradicionalmente, o encontro acontece em Campinas, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e constitui um momento especial de pertencimento, troca e fortalecimento da rede.
Participam representantes das ComUnidades de diferentes escolas, acompanhados por seus tutores e por outros professores interessados em conhecer ou aprofundar-se na proposta. Ao se encontrarem, os estudantes podem compartilhar experiências, desafios, ações realizadas e aprendizagens construídas em seus próprios contextos, percebendo que fazem parte de uma rede maior de jovens e educadores comprometidos com uma convivência mais cuidadosa, democrática e protetiva.
A cada edição, um tema é escolhido pela Comissão Organizadora, composta por estudantes, professores e pesquisadores. Juntos, eles planejam o encontro com atenção e carinho, procurando garantir que a programação dialogue com as questões que mobilizam os jovens e com os desafios presentes na convivência escolar. Assim, o Encontro Nacional não é apenas uma atividade de apresentação de trabalhos: é uma experiência de participação, escuta e construção coletiva, na qual as vozes dos estudantes ajudam a indicar os caminhos que a própria rede seguirá.



COMO FAZER PARTE?
Acesse aqui o passo a passo para que sua escola faça parte
dessa grande Comunidade!
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